segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Os seguros de saúde


Olá pessoal,

Este será o primeiro post de uma série sobre os tipos de plano de saúde existentes no mercado. Começamos com uma das modalidades mais antigas: os seguros de saúde.

O seguro de saúde, originalmente, funcionava como um seguro qualquer, basicamente através de reembolso, sem hospitais próprios.
Apesar do reembolso ser uma prática antiga (1966), esta lógica se mantém até hoje. 
De certa forma, isso é um fator positivo para o paciente, que vai encontrar menos barreiras (menos burocracia) para conseguir o reembolso para um serviço médico.

O tempo foi passando e a Susep (Superintendência de Seguros Privados) normatizou o “Seguro de Assistência Médica”. Isso mudou o objetivo do seguro de “reembolsar gastos médicos” para “garantir assistência médica”. A rede credenciada era algo importante nesse momento. Ela significava “alguém que aceite prestar o serviço para os segurados e cobre menos por isso”. Hoje em dia, as seguradoras, como Sulamérica e Bradesco, pagam o serviço de saúde diretamente ao prestador (médico, hospital, laboratório...) na maioria das vezes.

Por lei, uma seguradora de saúde não pode realizar a prestação direta dos serviços.
Esse é o motivo pelo qual vocês nunca irão ver um hospital do Bradesco Saúde. Nem a UPA da Sulamérica. O que, para eles, pode ser um grande problema, pois, para um plano de saúde,  uma rede própria significa gastar menos. Como seguros de saúde gastam mais pela assistência médica, sua mensalidade também é maior, o que é um ponto negativo para quem quer contratar um plano de saúde.
Além disso, as normas de reajustes criadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também impulsionaram as seguradoras a vender planos de saúde apenas para empresas. Ou seja, se você pessoa física quer um plano de saúde Bradesco, não poderá contratá-lo.

Os seguros de saúde ainda representam boa parte do mercado de planos de saúde. Entretanto, têm perdido bastante espaço para as Medicinas de Grupo e Cooperativas Médicas.


Em suma... os seguros de saúde:
Maiores representantes: Bradesco Saúde e Sulamérica
Vantagens: Menos barreiras no reembolso de serviços
Desvantagens: Preço alto da mensalidade, foco em contratos de pessoas jurídicas, rede credenciada desarticulada, o que dificulta a criação de programas de prevenção e promoção em saúde.




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os vários tipos de plano de saúde


Como disse em um post anterior, frequentemente as pessoas me perguntam qual o melhor plano de saúde.
De fato, acredito que a escolha de um plano 'A' ou 'B' é algo situacional, que depende da realidade de quem está decidindo. No final das contas, decidir qual plano é melhor é algo que cada um deve fazer por conta própria e como qualquer escolha, a comparação entre opções possíveis é algo imprescindível. Por isso decidi fazer uma série de posts contando um pouco sobre o tipo e a história dos principais planos de saúde.

Para iniciar, é importante dizer que os planos de saúde são empresas que são diferentes entre si. Não só como pessoas jurídicas diferentes, mas toda a forma de operação de cada tipo de plano é particular.
O que quero dizer com isso? Bem, se você tem um plano como UNIMED, Amil e Assim, certamente já ouviu falar que “o hospital ‘X’ é do plano”. Ou seja, o plano de saúde é dono de um hospital. Se você tem um plano como Bradesco ou Sulamérica, você nunca vai ver um hospital do Bradesco ou um hospital da Sulamérica. Existe um motivo pra isso. E pra muitas outras diferenças.
Portanto, seguem abaixo os tipos diferentes de planos de saúde:
  •      Seguradoras
  •      Autogestões
  •      Cooperativas
  •      Medicina de Grupo
  •      Administradoras de plano
  •      Administradoras de Benefícios
  •      Cooperativas Odontológicas
  •      Odontologia de Grupo

Os posts desta série serão dedicados a contar um pouco da história de cada tipo de plano e alguns prós e contras da contratação dos mesmos. Aguardem os próximos!
Abraços,
Ricardo Lima

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O conflito de interesse e a importância de eleger um médico para chamar de "seu"


Nesse post não pretendo entrar numa discussão teórica do comportamento humano e muito menos decidir quem é bom ou mau em qualquer disputa. O texto aqui reflete apenas a minha experiência pessoal e profissional no sentido de orientar as pessoas em como cuidar melhor de sua saúde.

Quando você vai a uma consulta qualquer e usa o cartão do seu plano de saúde para ser atendido, talvez não perceba, mas está participando de uma disputa de “três lados”.

Uma disputa de “dois lados” é fácil de entender. No futebol, por exemplo, ganha quem marcar mais gols no adversário. No caso da saúde, é complicado julgar quem ganha ou perde. Mas não é tão difícil dizer qual o interesse de cada parte.

Os “três lados” e seus interesses são:

1 – O plano de saúde: ele é recompensado quando você gasta menos, ou seja, quando vai menos ao médico e faz menos os exames.

2 – O prestador (médico, clínica, hospital ou laboratório): ele é recompensado quando você gasta mais. Quando vai a mais consultas, faz mais exames ou procedimentos mais caros.

3 – O paciente : ele quer ter mais saúde, e o “termômetro” que ele usa pra medir isso é se ele se sente mais seguro com a conduta que recebe e o quanto ele percebe o sucesso do tratamento.

Veja bem: um paciente pode estar achando que o tratamento foi ruim, mesmo que o resultado seja satisfatório. E vice-versa. O “termômetro” não obedece a um conhecimento específico, e sim a uma percepção!


Dessa forma, fica fácil dizer o que cada lado quer nessa disputa:

1 - O plano de saúde vai querer gastar menos com você. Ele pode criar programas de promoção e prevenção, tentar economizar os gastos quando você tem mais saúde. Mas o exagero dessa vontade de gastar menos pode levar o plano a dificultar o acesso a determinados serviços. Por que “dificultar”? Porque se ele proibisse, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) iria multá-lo. Então ele só “dificulta”. Ou você achava que a burocracia existia sem um motivo?


2 - O prestador vai querer que você faça os melhores exames e procedimentos, tudo do bom e do melhor. Quando é para você ter saúde isso é ótimo. Mas o exagero dessa vontade de fazer exames e procedimentos pode ser ruim pra você. Por exemplo, a quantidade de radiação no exame de tomografia computadorizada é ruim para a saúde, ela aumenta o risco de câncer. Repetir exames e realizar procedimentos cirúrgicos agressivos normalmente são alternativas somente após algumas outras abordagens não darem certo.



O paciente (todos os seres humanos do planeta, pelo menos algum dia) é que fica no meio do tiroteio. Como saber se você não está sendo explorado como uma mina de ouro ambulante? Ou talvez se seu tratamento está sendo adiado e sua saúde está piorando? Não é possível ter certeza.

Em última análise, é importante que você se sinta seguro. E a única coisa que pode sustentar isso é o esclarecimento.

Para isso, o ideal é que você encontre um médico “para chamar de seu”. Alguém em quem você confie. Ele deve acompanhar sua saúde no longo prazo. Você pode até se consultar com muitos outros especialistas, mas é de suma importância que alguém, em algum lugar, concentre as informações. Imagino que qualquer um se sinta mais seguro quando o médico explica o que está havendo e o que ele escolheu como conduta e por quê, além de envolver o paciente no processo de decisão. 

Como exemplo da importância desse tipo de trabalho temos o sistema de saúde francês, que obriga cada cidadão a ter o seu “médicin traitant”, o que não é nada mais do que o médico que concentra suas informações e se responsabiliza pelo paciente. De certa forma, a saúde pública no Brasil se esforça para funcionar dessa maneira. Entretanto, os planos de saúde têm poucas iniciativas nesse sentido.

O que não impede que você procure um “médico para chamar de seu” que atenda pelo seu plano e te deixe fora do jogo comercial dos hospitais e planos de saúde.

Nosso outro blog também tem dicas sobre como escolher seu médico.
Espero que minhas opiniões sirvam de ajuda!
Boa sorte a todos, abraços,

Ricardo Lima

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Como manter o plano de saúde após a aposentadoria.

A partir do dia 1º de junho de 2012 será possível que aposentados mantenham seu contrato com o plano de saúde.
O período de cobertura após a aposentadoria pode variar de acordo com o tempo com o qual o aposentado contribuiu para o plano de saúde enquanto ativo:

  • 10 anos ou mais de contribuição: o plano de saúde pode ser mantido para sempre.
  • menos de 10 anos de contribuição: o plano pode ser mantido pelo período equivalente ao tempo de contribuição.
Vale dizer que a manutenção do plano se estende aos dependentes e que também existe a possibilidade de portabilidade de plano de saúde. E, principalmente, que este benefício se estende a pessoas que se aposentaram antes da vigência da norma!


Quanto ao reajuste do plano, ele pode ser realizado de acordo com a carteira do contrato coletivo dos funcionários da empresa ou de acordo com os contratos de aposentados e demitidos que o plano de saúde tem. 


Como já disse anteriormente, essa última opção pode ser um problema, pois aposentados normalmente gastam mais com saúde, o que gera reajustes maiores. Esses reajustes são diluídos na carteira de todos, incluindo pessoas mais jovens, o que permite que aposentados paguem menos em sua mensalidade. Isso é importante, principalmente porque após a aposentadoria o poder aquisitivo da pessoa costuma cair.
Entretanto, caso a carteira seja composta majoritariamente de aposentados, a maioria irá gastar muito. O reajuste certamente virá bem maior, o que pode tornar a mensalidade difícil de pagar.


Para mais informações, acesse o site da Agência Nacional de Saúde e a Resolução Normativa que aborda o assunto.


Espero que as dicas sirvam de ajuda!


Abraços,


Ricardo Lima

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Como manter o plano de saúde após uma demissão

Agora será possível que pessoas demitidas mantenham seu plano de saúde após a demissão. A nova regra começa dia 1º de junho de 2012, para que os planos de saúde tenham tempo de se adaptar a ela.


Mas, como sempre, a regra tem suas nuances, que seguem abaixo:

  • A demissão não pode ser por justa causa.
  • Quem foi demitido deveria contribuir para o pagamento do plano de saúde, ou seja, a mensalidade não deve ter sido paga integralmente pela empresa.
  • A mensalidade do plano de saúde será paga integralmente pelo empregado após sua demissão.
  • O tempo permitido para permanência no plano é de um terço do tempo no qual o funcionário já contribuía para o mesmo. Respeitando o limite de 6 meses a 2 anos.
  • Os benefícios da portabilidade do plano são mantidos.
  • O plano também é mantido para dependentes. A inclusão de dependentes também é permitida.
  • O benefício também será estendido a pessoas demitidas antes da vigência da norma.

Um exemplo: se um empregado com 48 meses de contribuição para o plano de saúde for demitido, ele terá direito a 16 meses de cobertura, desde que pague integralmente a mensalidade.


Todo plano de saúde tem seu reajuste, nesse caso não é diferente.
O reajuste do plano pode ser de acordo com a carteira do contrato coletivo dos funcionários da empresa ou de acordo com a sinistralidade de todos os aposentados e demitidos que têm contrato com o plano de saúde. 


Essa última opção é um pouco problemática, pois deixar o reajuste do plano de saúde de acordo com um grupo seleto de aposentados (ou seja, idosos, que têm alta sinistralidade por definição) pode transformar a mensalidade em algo muito difícil de pagar.


Para quem busca mais informações, o site da Agência Nacional de Saúde responde algumas perguntas. A resolução normativa que trata do assunto também é uma boa fonte de informação.


Boa sorte a todos!


Abraços,


Ricardo

domingo, 25 de março de 2012

Rol de procedimentos e o que o seu plano de saúde deve cobrir

Depois de janeiro de 1999 os planos de saúde com comercialização autorizada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) são de apenas três tipos. Seguem abaixo os tipos de plano e suas respectivas coberturas obrigatórias:

  • Hospitalar com obstetrícia: cobre todos os gastos ambulatoriais e com internação.
  • Hospitalar sem obstetrícia: cobre todos os gastos ambulatoriais e com internação, mas não cobre exames e procedimentos relacionados a obstetrícia.
  • Ambulatorial: cobre apenas os gastos ambulatoriais, não cobre gastos relacionados a internação.
Os "gastos ambulatoriais" são referentes aos serviços, como consultas, exames e procedimentos, que é possível fazer "deambulando", ou seja, tudo para o que você não precisa de uma cama de hospital.

Mas, afinal o que isso tem a ver com o "rol de procedimentos"?


O rol de procedimentos é uma lista de quais serviços de saúde devem ser cobertos minimamente por qualquer plano de saúde no Brasil, dentro de sua classificação (ambulatorial, hospitalar com ou sem obstetrícia). Essa lista é gerida pela própria ANS e é atualizada constantemente. 

Se você tiver alguma dúvida sobre a cobertura de determinado procedimento, a ANS disponibiliza o site para consulta.

Boa sorte a todos!

Ricardo Lima

domingo, 18 de março de 2012

Tempo de carência


   Todo mundo quer saber quando vai poder usar o serviço que está pagando! Os prazos máximos de carência estabelecidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) são:

  • 24 horas para urgência e emergência. Ou seja, se você se acidentar no dia seguinte, sua cobertura está garantida.
  • 300 dias (10 meses) para partos a termo. Isso quer dizer “no período de gestação normal”. Partos prematuros não estão incluídos nesse prazo. Por se tratarem de um problema, podem ser realizados antes.
  • 24 meses (2 anos) para serviços envolvendo doença ou lesõespré-existentes. Isso significa que se você tem alguma doença no momento de contratação do plano, deverá esperar dois anos para realizar exames e procedimentos para acompanhamento e tratamento desta doença.*
  • 180 dias (6 meses) para demais situações.


   Como havia dito, estes são os prazos máximos de carência. Os planos de saúde têm como prática corrente diminuir estes prazos para vender de forma mais competitiva. Portanto, se você dá valor à carência, cheque o tempo determinado por cada plano antes de comprá-lo.

*É possível evitar esse período de carência, desde que se pague um adicional na mensalidade chamado “agravo”. O valor varia de plano para plano.

Para maiores informações, acesse o site da ANS.


sexta-feira, 16 de março de 2012

ANS lança guia prático sobre planos de saúde

Oi, pessoal,

Na segunda-feira passada, dia 12/03/2012, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) lançou um "guia prático sobre planos de saúde".
Como o nome diz, trata-se de um guia com dicas e alguns "passo-a-passo" muito úteis. Principalmente para quem está decidindo qual plano de saúde vai contratar nesse momento.
Não deixe de conferir a rede credenciada em www.impaciente.org

Boa escolha!

Ricardo Lima

segunda-feira, 12 de março de 2012

O que é doença ou lesão pré-existente e cobertura parcial temporária?

Este post serve para informar mais sobre um post anterior. Pretendo explicar o que é "doença ou lesão pré-existente" (DLP) e "cobertura parcial temporária" da forma mais simples possível.
Vamos lá...

1) DLP - trata-se, como o nome diz, de uma doença ou lesão que a pessoa tinha antes de contratar o plano de saúde. Por exemplo, uma pessoa que tem Diabetes, em teoria, deveria declarar que é portadora dessa doença no questionário de DLP no momento da contratação de qualquer plano de saúde.

2) Cobertura Parcial Temporária - caso exista uma DLP, o plano de saúde não é obrigado a cobrir exames e procedimentos para acompanhamento e tratamento dessa DLP. Mas todo o resto deve ser coberto. Após 24 meses a cobertura passa a ser integral. Por isso o nome: cobertura parcial temporária.

Caso o portador de DLP queira cobertura completa nesse período de 24 meses, ele pode pagar um valor estipulado pelo próprio plano de saúde chamado "agravo", um acréscimo na mensalidade do plano.

Espero que sirva de esclarecimento!
Abraços,

Ricardo Lima

sábado, 10 de março de 2012

Portabilidade: como trocar de plano de saúde com carência zero.


Isso mesmo. É possível trocar de plano de saúde com carência zero desde 2009, mas tudo se tornou mais fácil desde o final de 2011, com a RN 252 da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Não é meu objetivo entrar em detalhes sobre o assunto. Quero apenas esclarecer para a maioria das pessoas o que é necessário ser feito para trocar de plano de saúde sem ser necessário cumprir carência.

O primeiro é saber se você tem o direito de realizar a portabilidade de carência:



Caso você já tenha o referido tempo de plano, você já pode efetuar a portabilidade de carência. Basta levar, junto dos documentos normalmente pedidos (cópias da identidade, CPF, comprovante de residência e certidão de nascimento para menores) os boletos pagos das últimas três mensalidades vencidas e qualquer documento que mostre a data de adesão em seu plano de origem. Esse documento normalmente é uma cópia da sua carteirinha do plano, mas pode ser o contrato de adesão que você assinou quando ingressou no seu plano de saúde de origem ou uma declaração emitida por eles.

O plano de saúde de destino deve responder em até 20 dias. Se não houver resposta, é considerada permitida a portabilidade. O contrato entra em vigor 10 dias após a aceitação. Ou seja, você terá que esperar até um mês (na pior das hipóteses) para estar efetivamente no novo plano de saúde.

Existem exceções ao caso, como planos de comercialização suspensa e planos contratados antes da lei 9.656. Mas esses casos são cada vez mais raros a cada ano que passa.

Para maiores informações,acesse o site da ANS.

Nunca esqueça de checar a rede credenciada do plano antes de escolher: www.impaciente.org.

Abraços e boa sorte a todos!

Ricardo Lima

segunda-feira, 5 de março de 2012

Qual é o melhor plano de saúde?


Essa é a pergunta que eu mais ouço sobre planos de saúde. Qual o melhor?

Só tem um problema, não existe um plano “melhor”. Na verdade, é importante escolher um plano que melhor se adapte a você.


Mas escolher este plano não é uma coisa fácil! Por isso decidi esquematizar nesse post o que julgo mais relevante na contratação de um plano de saúde.

Em primeiro lugar, creio que a rede credenciada seja de suma importância. Tenha certeza que existe uma emergência credenciada próximo da sua residência. No caso de uma doença vascular, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), você não está longe de serviço médico. A maioria dessas doenças acontece de madrugada e no início da manhã, quando a pressão arterial sobe (isso é natural, mas pode acarretar em problemas em alguém já doente).

Ainda falando de rede, é difícil dizer qual médico é bom, qual é o melhor e se vale a pena comprar um plano por um médico específico. Uma coisa é certa, existem muitos médicos. Bons e ruins, como em qualquer profissão. Mas o que determina isso não é o quanto ele cobra, mas sim outros aspectos:

  • Ele é esclarecedor (tira suas dúvidas, escuta o que você tem a dizer, dá orientações claras)
  • Os resultados estão satisfatórios, levando em consideração o que foi acordado no início (nada pode ser prometido em termos de resultado de tratamento, mas as variações do possível devem estar claras para o paciente)
  • Você se sente seguro(a) com ele
  • Ele se preocupa com você como um todo e se responsabiliza por isso. Resolver a doença é importante, mas raramente é a única função do médico.

Obviamente existem muitos outros aspectos, mas creio que, na hora de escolher um plano, estes sejam os mais decisivos a ponto de influenciar na sua decisão.

Não deixe de checar o (im)Paciente caso deseje pesquisar mais sobre médicos, clínicas e hospitais. As opiniões de outras pessoas podem ajudar muito na sua decisão.



Em segundo lugar, mas não menos importante: o cuidado a longo prazo da sua saúde. Exatamente. De pouco adianta você tratar o resfriado num hospital de ouro se sua pressão está alta e há anos sem controle. Serviços de saúde não são como qualquer serviço, que pode ser consumido pontualmente. Daí a necessidade de um médico no qual você confie.

Planos que oferecem programas de promoção e prevenção em saúde têm mais chance (mas não certeza) de promover melhor cuidado a longo prazo, desde que haja uma vinculação sua com alguma equipe ou algum profissional. Isso vale para todas as idades, seja um pediatra, clinico, cardiologista, geriatra, o que for. Alguém deve se responsabilizar por você em algum lugar.

Em terceiro lugar, o preço.

Escolha um plano que se adéqüe ao seu orçamento, a quanto você pode pagar por mês. Não adianta seu filho ter o pediatra mais expert do planeta se o avô dele não tem onde ir quando acorda tossindo de noite. Planos familiares ou coletivos têm tendência a ser mais baratos.


Mas cuidado com corretores de plano de saúde. Existe um conflito de interesse aqui. Você busca obter o plano que melhor se adéqüe a você. O corretor busca vender o plano que pague melhores comissões. Por mais que se espere que o corretor te ajude a alcançar seu objetivo, é bom estar claro que ele pode estar sendo estimulado a fazer o contrário.


E nunca (mas nunca mesmo!) escolha qualquer plano porque ele tem helicóptero. A probabilidade de você precisar dele é muito baixa. A de você usar, então, menor ainda.



Boa sorte na sua escolha!


Abraços,

Ricardo Lima

sexta-feira, 2 de março de 2012

Prazos de atendimento e o que a nova regra pode mudar...


Desde 19 de dezembro de 2011 os planos de saúde de todo o Brasil são obrigados a fornecer acesso a certos serviços com prazo máximo. Abaixo segue uma relação dos serviços e dos prazos:

  • Urgência e Emergência – 24 horas
  • Consulta de clínica médica, ginecologia, obstetrícia, pediatria ou cirurgia geral – 7 dias
  • Consultas de qualquer outra especialidade – 10 dias
  • Consulta com fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo, terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta – 10 dias
  • Consulta ou procedimento com cirurgião dentista – 7 dias
  • Serviços de diagnóstico por laboratório de análises clínicas em regime ambulatorial (paciente não está internado) – 3 dias
  • Demais serviços de diagnóstico e terapia ambulatoriais – 10 dias
  • Procedimento de alta complexidade – 21 dias
  • Atendimento em hospital-dia – 10 dias
  • Atendimento para internação eletiva – 21 dias
  • Consulta de retorno – a critério do profissional médico

No caso de não conseguir um prestador na rede, o plano de saúde deve entrar em acordo com algum prestador não credenciado ou fornecer o transporte para o paciente para que este receba o serviço do qual precisa.

Creio que isso seja raro, pois a norma diz que o plano de saúde tem o prazo para encontrar um prestador em todo o município. Ou seja, se você mora em Copacabana e procura um neurologista, seu plano tem até 10 dias para te encontrar este médico. Nem que ele seja em Santa Cruz.

Como tudo na vida, existe um lado positivo e outro negativo. Por um lado, quem está numa fila de espera que não acaba mais vai ter acesso mais rápido ao serviço. Entretanto, se a marcação de consultas e outros serviços de saúde for realizada apenas pelo plano de saúde, nós teremos uma situação onde o plano escolhe onde o paciente vai. Se isso acontece, é o plano quem decide qual médico tem a agenda cheia e qual médico tem a agenda vazia. O paciente pouco participaria disso. Se isso acontecer de fato, os médicos vão se preocupar mais em agradar o plano do que em agradar o paciente.

É óbvio que todos esperam que sua saúde seja a primeira preocupação dos planos. Marcar consultas em dia é uma coisa muito boa! Mas é importante deixar claro que podem existir outros interesses nisso.


Para mais informações, confira o site da Agência Nacional de Saúde (ANS).


Espero que as dicas sirvam de ajuda,
abraços,


Ricardo Lima

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um blog sobre planos de saúde...


Oi pessoal,

Aqui estamos marcando o início de um blog sobre planos de saúde. Nosso objetivo é esclarecer sobre dúvidas freqüentes e dar orientações para uma escolha consciente de plano de saúde. Além de dicas e informações gerais sobre o assunto.
Desde que adquiri experiência na gestão de planos de saúde recebo toda a semana as mesmas perguntas dos meus amigos. “Qual o melhor plano”, “qual o mais barato”, “como ter carência zero” são algumas das mais freqüentes.
Então resolvi fazer este blog, um lugar onde as pessoas possam encontrar respostas a essas perguntas e escolher conscientemente o plano de saúde que vão contratar para suas famílias.


(Falando em escolha consciente, já é possível escolher seu médico, hospital ou clínica com maior segurança no www.impaciente.org).

Aguardem os próximos posts.

Abraços,

Ricardo Lima

PS: Não deixe de visitar nosso outro blog: www.im-paciente.blogspot.com